quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Post nº 84

HELIOGÁBALO – O  ADOLESCENTE  SODOMITA  QUE FOI  IMPERADOR  E  “ESPOSA” DE  UM  ATLETA  DE  CIRCO

O imperador Heliogábalo vestia-se, depilava-se e pintava-se como mulher. Também adotava voz e trejeitos
femininos, exigindo que tratassem seu amante como seu "marido" e a si próprio como "imperatriz"
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Ao contrário do que muitos pensam, a antiga Roma não era um antro de maldade e corrupção, e nem todos os imperadores eram monstros perversos e devassos como Nero e Calígula. Na verdade, estes foram exceção, pois a grande maioria foi de homens sérios e dedicados à causa pública que trabalharam com zelo, competência e bravura pelo progresso e bem-estar do Império. Infelizmente as imagens que melhor se fixaram na memória popular foram as de uns poucos imperadores criminosos e depravados que anarquizaram a administração, quebraram o Estado e tornaram-se a vergonha do gênero humano. Entre estes um dos piores foi Heliogábalo, não tanto por seus crimes, mas por sua devassidão que chega a ser cômica.

Seu verdadeiro nome era Sextus Avitus Bassianus e pertencia a mais alta aristocracia romana, pois nasceu sobrinho do imperador Septimius Severus e primo do futuro imperador Caracala, mas sua riquíssima família tinha origem na Síria e ele próprio nascera na grande cidade síria de Emesa, hoje Homs, no final do ano de 203 DC. Ainda menino, o ouro dos seus pais o fez grande sacerdote do deus sol, venerado na cidade sob o nome de “El Agaballus”, mais tarde latinizado como Heliogabalus. Esta latinização rendeu ao seu jovem sacerdote o apelido que os romanos lhe deram ao tornar-se imperador.

A família de Heliogábalo era bilionária e a peso de ouro o fez ainda menino grande sacerdote
do deus sol da cidade de Emesa, na Síria, onde tinha suas imensas propriedades

Em 217 DC o seu primo imperador Caracala foi assassinado e o general Macrinus tomou posse do trono. Uma das suas primeiras medidas foi mandar de volta à Síria a velha bilionária Julia Maesa, tia de Caracala e avó de Heliogábalo. Fria, astuta, decidida e cruel, fez Macrinus arrepender-se amargamente de não tê-la executado assim que chegara ao poder, pois com sacos de ouro fez a legião local aclamar novo imperador o seu neto adolescente Heliogábalo de apenas 14 anos de idade. Sempre usando o ouro como principal arma, ela comprou o apoio das demais legiões vindas para sufocar a rebelião e sem demora avançou sobre Roma. Isto fez Macrinus se por à frente de poderoso exército para esmagar os rebeldes, mas na batalha que se seguiu foi derrotado porque a astuta Júlia Maesa subornara suas tropas e estas o abandonaram no momento decisivo. Ele conseguiu escapar, mas foi preso e executado quando tentava chegar a Roma.

Ainda um adolescente, Heliogábalo viu-se senhor do mundo, podendo-se dizer sem ironia que foi a única vez na História que uma avó comprou um império para dá-lo de presente ao neto. Claro que o principal objetivo de Júlia Maesa não era presentear o neto, por mais querido que ele fosse, mas recuperar o poder que tivera nos reinados do seu cunhado Severus e do seu sobrinho Caracala. Julgou que isso ocorreria quando Heliogábalo trocasse a toga sacerdotal pela toga imperial, mas frustrou-se ao ver que ele era ingovernável e pouco influiria no seu reinado, o que mais trabalho, perigo e ouro lhe custara.

Logo no início, desprezando os conselhos da avó e da mãe, ele trouxe de Emesa para Roma o deus estrangeiro de que era sacerdote e o entronizou no Panteon no lugar de Júpiter, dando-lhe proeminência sobre os deuses nacionais romanos. Isto chocou os conservadores, sobretudo porque o novo “rei dos deuses” não tinha forma humana, pois era um enorme meteoro negro caído na terra há milhões de anos. O povo também se mostrou descontente, mas ele o conquistou com farta comida e boa bebida distribuídas de graça nos freqüentes festivais que logo tratou de promover ao seu deus. Nestes festivais punha a enorme pedra coberta de jóias em cima de carro puxado por cavalos brancos e desfilava em trajes riquíssimos sentado de costas em um trono elevado com o olhar fixo no deus. Para completar a maluquice, o suntuoso cortejo ia pelas ruas de Roma precedido por dezenas de escravos que polvilhavam o caminho com ouro em pó.

Na procissão do deus sol Heliogábalo fazia todo o percurso sentado de costas e com o olhar fixo em seu
deus enquanto escravos iam à frente dos cavalos polvilhando o caminho com ouro em pó

A absurda extravagância escandalizou os que ainda tinham alguma consciência porque só um louco jogaria ouro fora. Com razão, diziam que um imperador dotado de mínima sensatez o aplicaria em obras públicas, dando emprego à multidão de desocupados que vivia à custa da caridade do Tesouro e infestava Roma de miséria, crime e sujeira. Mas o povo e o exército, satisfeitos com a prodigalidade do adolescente enlouquecido pelo poder absoluto, não deram ouvidos às vozes sensatas e Heliogábalo desembestou em extravagâncias cada vez maiores, sobretudo de natureza sexual.

Assim que chegara a Roma, sua família lhe arranjara um casamento de interesse, mas em poucos meses se cansou da esposa e trocou-a por uma vestal por quem se apaixonara ao vê-la durante cerimônia religiosa. As vestais eram jovens das altas classes sociais munidas de deveres sacerdotais e obrigadas a conservarem-se virgens por 30 anos sob pena de morte. Elas só saiam de sua reclusão para renderem cultos aos deuses e foi num desses que Heliogábalo a viu e mandou trazê-la à força para o palácio, onde a desposou. O escândalo foi imenso e houve gerais protestos, inclusive no senado, onde acusações foram oficialmente feitas contra o sacrílego imperador, mas calaram após vários dos mais notórios acusadores serem presos e executados.

O sacrílego e devasso imperador de apenas 15 anos de idade repudia
publicamente a esposa para casar-se com a vestal que raptara

Em rápida sucessão, casou e descasou cinco vezes antes de completar 18 anos, mas tudo seria suportado pelo exército e pelo povo se ele tivesse dedicado um mínimo do seu tempo às suas obrigações militares e administrativas, limitando sua desenfreada devassidão apenas às mulheres. Mas não foi assim. Como se estivesse possuído por frenesi erótico, transferiu as obrigações do seu cargo a cortesões despreparados e corruptos, que cuidaram de enriquecer rapidamente enquanto o caos reinava, e dedicou-se de corpo e alma a todos os vícios e prazeres possíveis e imagináveis com escravos, soldados, gladiadores e toda espécie de homens da mais alta a mais baixa posição social. Para ter o máximo de parceiros em uma única noite, recrutou prostitutos nas ruas e instituiu campeonato onde o vencedor seria aquele que atraísse mais fregueses. Para o “jogo”, criou réplica de ruela da zona do meretrício em ala do palácio que dava para a via pública e cada um dos contendores ficava na entrada do seu quarto em vestes femininas provocantes, fazendo gestos obscenos, abanando a cortina e tocando o sininho das meretrizes para chamar a atenção dos passantes, como elas faziam. No fim da noite se apurava quantos fregueses cada um tivera e quanto ganhara, aclamando-se o vencedor e dando-lhe o prêmio combinado. Heliogábalo quase sempre ganhava, donde a suspeita de que seus agentes lhe traziam fregueses já previamente acertados.   

Como se apenas a prática desenfreada da sodomia não lhe bastasse, passou a vestir-se, depilar-se e pintar-se como mulher. Também passou a adotar voz e trejeitos femininos da forma mais escandalosa possível e a referir-se ao seu amante Hiérocles, o belo cocheiro louro de sua carruagem, como seu “imperador e marido”, exigindo aos demais que tratassem a si próprio como sua “imperatriz e esposa”. Por fim, fez público oferecimento de enorme soma ao médico hábil e talentoso que conseguisse lhe implantar órgãos sexuais femininos a fim de que melhor pudesse cumprir suas obrigações de “esposa” para com o seu adorado "marido" Hiérocles. Alguns historiadores dizem que a cirurgia foi tentada, mas dela resultou apenas a amputação dos seus órgãos masculinos, falhando na criação de um simulacro de vagina, porém é duvidoso que isso tenha realmente ocorrido. É possível que nos dias atuais Heliogábalo fosse visto apenas como “travesti” ou “transexual”, todavia os romanos eram menos sutis e passaram a vê-lo como aberração que precisava urgentemente ser amputada do corpo do império antes que o gangrenasse.

Ao mesmo tempo em que se entregava a luxuria mais louca, Heliogábalo exercia tirania brutal, ordenando não só a prisão e o exílio dos desafetos dos seus capangas, mas também a tortura e a execução dos que criticassem o seu desvairado comportamento, mesmo que pertencessem à mais alta aristocracia romana. Vários escaparam por serem amigos e protegidos de sua mãe ou da sua avó, mas a maioria tombou sob o seu cutelo e sinistro silêncio pairou sobre a cidade apavorada pela onda de terror, que não se detinha diante de nada e nada poupava. Nem mesmo as festas populares, que ele constantemente promovia em honra do deus sol, com distribuição de comidas e bebidas grátis, disfarçava o opressivo ambiente, mas ele não se importava e passava  os dias e as noites em frenéticos festins e bacanais, como se a vida se resumisse a uma permanente e alucinada orgia.

Heliogábalo passava quase todo tempo em frenéticos festins onde fazia cair do
teto chuvas de rosas sobre os convidados

As conspirações pululavam e somente o exército, a quem dava ótimas gratificações, o mantinha no poder, sobretudo porque a sodomia era comum entre as tropas e estas a aceitavam sem restrições se o sodomita fosse “macho”, cumprindo bem o seu dever na hora do combate. Todos os imperadores, sob cujas ordens os militares tinham servido nos últimos 80 anos, eram homens másculos e corajosos, mesmo quando outras virtudes lhes faltavam, mas agora viam com acerto que este não era o caso de Heliogábalo, efeminado ao extremo. Ademais, a tolerância dos militares com a sodomia cessava quando o sodomita deixava de ser “macho” e agia como “mulherzinha”, semeando o ridículo ao seu redor e fazendo os seus camaradas duvidarem da sua coragem e do seu valor combativo.

Comportamentos efeminados não eram tolerados pelo exército em nenhum soldado e muito menos em um imperador, por isso sua situação política se tornou dificílima após o seu público oferecimento de alta soma ao médico que lhe implantasse uma vagina. Com a irritação a flor da pele, os soldados se indagavam mutuamente sobre o que aconteceria caso tivessem que marchar para a guerra sob o comando de tal líder e começaram a conspirar. Porém, mesmo com a conspiração em andamento, o ouro que o ridículo monarca lhes dava em abundância os manteve quietos e nada aconteceria se não fosse por um dos mais inusitados fatos da história: Heliogábalo brigou com Hiérocles e para lhe fazer ciúme “casou” vestido de noiva em cerimônia pública com o seu camareiro e também amante, o atleta de circo Aurélio Zótico!

Através do seu bom serviço de informações, a velha bilionária Julia Maesa soube da conspiração e viu que após mais este escândalo o reinado do seu neto sodomita estava por um fio. Ela fora a única mulher na história do Império a ser eleita para o Senado logo que entrara triunfante em Roma com o neto recém proclamado imperador, mas ao contrário das suas expectativas ela pouco ou nada influíra no governo porque não havia sobre o que influir. Após passar as rédeas da administração para a sua desqualificada corja de infames bajuladores, Heliogábalo dedicou-se exclusivamente às maluquices religiosas e perversões sexuais, fazendo com que o governo imperial virasse ridícula ficção. A política desapareceu e os corruptos novos donos do poder, cientes de que o imperador queria distância da mãe e da avó, com as quais ficara furioso quando elas tentaram incutir-lhe alguma disciplina e responsabilidade, não deram às duas mulheres nenhuma atenção nem lhes permitiram intromissões nas suas atividades, dirigidas tão somente ao próprio enriquecimento. Assim, não sobrou nenhuma área onde a politiqueira Júlia Maesa pudesse influir. Ela ficou profundamente ofendida e indignada, passando a odiar o neto ingrato e a querer dele vingar-se, mas como não queria que o trono imperial saísse da posse da família no caso de queda do imperador reinante, fez sua filha Júlia Soêmia, mãe de Heliogábalo, conseguir dele, em nome dos interesses da família, nomear seu primo mais novo Alexandre Severo co-imperador e sucessor. Ele tinha apenas 13 anos e Heliogábalo mal o conhecia, por isso, ocupado com suas degradantes bacanais e fantásticos festins, não deu maior atenção ao caso e nomeou o primo por não ver nisso qualquer perigo, mas logo espiões o informaram de que ele agora tinha ao lado do trono não um menino tolo, incapaz de lhe fazer sombra, mas um jovem sério e decente, muito estimado e respeitado pelo povo e pelo exército.

Mergulhado em suntuosos festins e luxuosas bacanais, Heliogábalo custou a
perceber a armadilha que a sua implacável avó lhe preparava

Heliogábalo despertou do seu torpor orgiático e suspeitando que a implacável Júlia Maesa planejava vingar-se das ofensas sofridas, tirando-o do trono onde o pusera e substituindo-o pelo outro neto, mandou os seus vis capangas matarem o adolescente Alexandre, agindo com cuidado para não comprometê-lo. Porém a avó, já prevendo que isso poderia acontecer, o protegera com verdadeiro exército de guarda-costas e o atentado falhou. Desesperado com o fracasso, tirou a máscara e demitiu o primo, anulando todos os títulos e privilégios que lhe concedera. Isto tornou evidente ao povo e aos militares que ele invejava e odiava o querido príncipe, podendo matá-lo a qualquer momento. A astuta velha viu que o geral sentimento era favorável ao seu segundo neto e contra-atacou fazendo circular o boato de que o desprezível monarca o matara traiçoeiramente. O boato foi desmentido, mas o exército rebelou-se exigindo que o torpe imperador apresentasse às tropas Alexandre são e salvo para verem com seus próprios olhos que Heliogábalo ainda tinha um mínimo de dignidade e não estava mentindo.

Tudo indica que isso foi um estratagema de Julia Maesa para neutralizar a poderosa guarda imperial que a peso de ouro protegia o repulsivo tirano dia e noite, pois sua entrada no quartel não seria permitida e se entrasse seria cercada e desarmada pelos legionários subornados e instruídos. Assim, como previamente acertado, na manhã de 11 de março de 222 DC as comitivas de Heliogábalo e de Alexandre encontraram-se na entrada do quartel da legião e foram autorizados a entrar seguidos apenas de familiares e assessores, ficando de fora os seus respectivos guardas. Ambos vieram com as suas mães, mas com Alexandre veio também a astuta avó que planejara o Golpe.

No pátio fora montada uma tribuna em frente ao gabinete do general e os dois jovens nela subiram sozinhos para discursarem. Heliogábalo falou primeiro e o seu discurso foi ouvido do início ao fim em profundo silêncio, mas quando Alexandre começou a falar a soldadesca o aclamou delirantemente novo imperador, erguendo as lanças e com elas batendo nos seus escudos. Heliogábalo desceu da tribuna às pressas e trancou-se com sua mãe na anexa sala do comando onde solicitou proteção ao general, seu principal sustentáculo até pouco tempo atrás. Este estava tão envolvido no golpe quanto os outros oficiais, mas teve pena do jovem pervertido e disse-lhe que devido à fúria dos soldados o único modo dele sair vivo dali era dentro de um baú que seria levado para local de sua escolha. Depois fugiria para onde quisesse. Em meio aos festejos da aclamação de Alexandre, todos esqueceram o refugiado Heliogábalo e horas depois, quando o novo imperador já fora levado em triunfo para o palácio imperial, carroça transportando pesado baú e uma rica senhora envolta em véus saiu do quartel por uma porta lateral e rodou pelas ruas desertas, pois quase todos tinham ido ao centro da cidade festejar o início do novo reinado.

Heliogábalo tinha apenas 18 anos quando foi deposto e morto pelos soldados revoltados. Após
cortarem-lhe a cabeça, seu cadáver foi jogado no rio Tibre para ser comido pelos peixes
   
Heliogábalo teria escapado de fim tão sórdido quanto foi a sua vida se não fosse o acaso, pois a carroça topou com soldados bêbados que voltavam das festas e eles resolveram saquear o grande baú da “rica senhora”. Quando o abriram, viram com surpresa que lá estava todo encolhido e implorando piedade o outrora “senhor do mundo”. Os brutais soldados o espancaram cruelmente e quando Júlia Soêmia interveio, abraçando-se com o filho para defendê-lo, também a espancaram e mataram os dois a punhaladas, cortando-lhes as cabeças e espetando-as em lanças perante a multidão que se juntara para assistir o tétrico espetáculo. A turba depois arrastou o cadáver mutilado do decaído imperador pelas ruas até o rio Tibre onde foi jogado para ser comido pelos peixes, mas respeitou o cadáver da sua mãe. Heliogábalo viveu apenas 18 anos e reinou somente 4, mas foram os 4 anos de mais completa anarquia, surrealista loucura e frenética luxúria que o mundo já vira.

Parece que a morte cruel da filha e do neto não estava nos planos da dura Júlia Maesa e que o ardil para tirá-lo vivo do quartel fora previamente combinado entre ela e o general comandante, mas o acaso interveio e deu-se a tragédia. De qualquer modo, tenha ou não sido de sua autoria o fracassado plano de fuga, ela pôs de lado lágrimas e lamentações e tratou de concluir a sua obra, executando todos os amantes e capangas do neto ingrato que a tinham tratado com desdém, entre os quais os notórios sodomitas Hiérocles e Zótico, “marido” do caricato governante. Embora tendo de fazer algumas concessões à "nova ordem", entre as quais renunciar ao Senado onde sempre fora vedada a presença de mulheres, ela manobrou habilmente e voltou a ter mais poder do que jamais tivera antes. Com maestria, superou todos os obstáculos em seu caminho e, terminada a faxina, resolutamente dirigiu os primeiros passos de Alexandre na chefia do império, tornando-se o centro do poder, objetivo que não lograra atingir com Heliogábalo. Para sorte de Roma, seus interesses resumiam-se à micro-política, tipo troca de favores, distribuição de cargos, nomeações, demissões, promoções, remoções, obras públicas pedidas por compadres, e por aí vai. Após dar bons assessores a Alexandre, ela deixou nas mãos deles matérias complexas, como legislação, reforma do Estado, organização militar, estrutura provincial, finanças públicas e relações exteriores, para dedicar-se apenas à politiquice miúda de que tanto gostava e que exerceu até a sua morte alguns anos depois. Isto permitiu ao jovem imperador familiarizar-se com a alta política e cercar-se de ministros corretos e capazes que o ajudaram a reconstruir os abalados alicerces da sociedade e do império.

O virtuoso imperador Alexandre Severo orando e queimando incenso
diante do altar dos deuses


Simples, sério, culto e operoso, Alexandre Severo prezava a generosidade, a virtude e a justiça, mandando inscrever no pórtico do palácio imperial em letras bem visíveis: "Fazei aos outros aquilo que quiserdes que vos façam". Apesar de lhe faltarem qualidades de liderança e de não ter talento militar, ele era justo, leal e corajoso, por isso manteve a afeição do povo e o respeito do exército, o que todavia não impediu que anos mais tarde um oficial traidor o matasse para infelicidade geral do Império. Mas enquanto o ingrato final não veio, o jovem e bondoso Alexandre, agindo com exemplar honestidade e correta moderação, conseguiu dar aos romanos decente reinado de paz e prosperidade, em notável contraponto ao tirânico e infame reinado do seu primo Heliogábalo, o pior, o mais escandaloso e o mais imoral imperador que Roma teve em toda a sua história.

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