terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Post nº 18

ÁTILA  INVADE  O  OCIDENTE  E  AÉCIO  MARCHA  PARA  COMBATÊ-LO

Fantasia cromática do autor. Tradução do latim: "Fávio Marcelo Aécio vencedor
de Átila rei dos hunos. Cavaleiro velocíssimo e exímio atirador de flechas"


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O texto a seguir foi tirado do livro "Memórias Íntimas de Flavius Marcellus Aetius" e carece de registros escritos. É, portanto, uma tentativa romanceada de recriar os angustiosos momentos vividos pelo general Aécio, comandante supremo do Exército Romano, ao ser informado dos preparativos militares de Átila e da iminente invasão da Gália pelo temível exército Huno. 



Enquanto Aécio passava o inverno de 451 em Florença, tentando superar a dor causada pela morte recente da imperatriz Placídia, a sombra terrível de Átila crescia e ameaçava se estender por toda a Europa. Em janeiro Aécio recebera ameaçadora mensagem do rei huno reiterando suas exigências e, como se zombando do antigo aliado e amigo, exigindo também a mão de Honória, irmã do imperador Valentiniano. O general tentara contemporizar mandando-lhe um embaixador carregado de presentes numa perigosa viagem em pleno inverno, mas este voltara apressado trazendo apenas respostas vagas e novas ameaças.

Fantasia cromática do autor. Tradução do latim: "Galla Placídia imperatriz
                            católica fidelíssima e grande defensora da fé cristã"


Todavia, certo de que Átila somente atacaria no verão, resolvera adiar o assunto para o início da primavera. Até porque as suas alianças com as tribos germânicas eram muito fortes e elas temiam Átila mais do que ao próprio demônio. Qual não foi sua surpresa quando ao voltar de Florença em meados de março o Serviço Secreto lhe apresentou um relatório aterrador sobre a real situação militar. O rei huno não descansara durante o inverno e, após cruzar o rio Danúbio e atravessar velozmente a Germania com dezenas de milhares de homens, estava agora concentrando o seu imenso exército na margem direita do médio rio Reno, ao sul do país dos burgundos, aliados dos romanos.

Nos últimos trinta dias Arderic, rei dos gépidas, Valamir, rei dos ostrogodos, e mais os reis dos boius, alamanos, hérulos, pomeranos e turíngios tinham se alistado sob a bandeira de Átila, o que significava todas as tribos germânicas do leste. Para completar o desastre, o seu compadre Clodion, rei dos francos, morrera e deixara o trono para os seus filhos Meroveu, protegido de Aécio, e Clodion, que tinha o mesmo nome do pai e odiava o irmão. Os dois tinham brigado e a coroa ficara para Meroveu, graças à intervenção do seu protetor Aécio. O derrotado Clodion fugira para o leste com milhares de seguidores e depois criara um exército franco independente, alistando-se sob a bandeira de Átila. Em resumo: os povos germânicos, valiosos aliados de Aécio, estavam completamente divididos!

O imperador Valentiniano foi imediatamente avisado do perigo e o senado foi convocado às pressas para deliberar, mas Aécio ficou perplexo ao ver que a maioria dos apavorados senadores era favorável a que se concedesse a Átila tudo o que ele exigia.

Exceto as suas riquezas pessoais, é claro!

Quando percebeu que aquela turba de canalhas aristocratas só se importava com suas propriedades e fortunas individuais, preferindo perderem os dedos para salvarem os anéis, Aécio discursou-lhes eloquentemente: “Assim que Átila tiver a Germânia sob seu controle e conquistar a Gália, avançará sobre a Itália, onde estão dois terços das riquezas do império. Todas as cidades italianas serão destruídas, as casas dos cidadãos serão saqueadas e as férteis terras da península serão transformadas em pasto para os rebanhos hunos de carneiros e cavalos. A única forma de tentar evitar o desastre é lutar agora, enquanto ainda temos o apoio dos gauleses e de parte das tribos bárbaras, especialmente dos poderosos visigodos de Teodorico e dos bravos francos de Meroveu. A escolha dos senhores é simples: lutar agora, enquanto temos esses valiosos apoios e talvez salvarmos nossas riquezas, ou lutar depois sem qualquer apoio e perdermos tudo. Escolham”!

"Átila, rei dos hunos, flagelo de Deus". Fantasia cromática do autor. Há
                medalhões e moedas com a sua efígie, mas não se sabe se são fiéis

O argumento de salvar as riquezas dos aristocratas foi decisivo e uma escassa maioria de mesquinhos senadores deu a Aécio os recursos financeiros necessários para enfrentar Átila. Dizemos meios financeiros porque a Itália praticamente deixara de produzir soldados e quase todo o exército romano era formado por mercenários estrangeiros de dentro e de fora das províncias do império.

Informado de que o seu temido ex-aliado iria à Gália combatê-lo, Átila lhe propôs secretamente dividirem o império: o rei huno ficaria com a Germânia, Gália, Espanha e Britânia; o general romano ficaria com o que restasse: Itália, Sicília, Bálcãs e Grécia. Mas Aécio recusou o astuto oferecimento porque sabia que tão logo Átila eliminasse seus aliados germânicos e gauleses no oeste voltar-se-ia para o sul e esmagá-lo-ia na Itália, onde estaria sozinho e sem os valiosos apoios com os quais ainda contava no momento.

No início de abril Aécio se pôs em marcha com o pequeno exército que conseguira formar a duras penas. A guerra contra o terrível Rei dos Hunos ia começar!





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